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Reportagem
20-Abr-2009

Terra de Riquezas:

Acadêmicos de Santa Cruz têm enredo sobre importância do extrativismo e da industrialização no processo de crescimento do país.

Fonte: O Dia na Folia - Caderno Zona Oeste - 17/10/1999

A Acadêmicos de Santa Cruz já sabe o que vai vestir no próximo desfile na Marquês de Sapucaí: Os protótipos das fantasias do Carnaval de 2000 estão na quadra. A escola esse ano continua no Grupo de Acesso 1/A, mas também terá enredo comemorativo aos 500 anos de descobrimento: Brasil, do extrativismo à Reciclagem, 500 anos de Riquezas. A final do samba-enredo está marcada para o próximo sábado, dia 23, e será decidida entre 3 sambas.

O enredo é dividido em quatro setores. Extrativismo, Industrialização, Reciclagem  e 500 anos de Riqueza. A escola vai mostrar a extração, a industrialização e ata a reciclagem de produtos que fazem a riqueza de um país. "Não é uma crítica ao extrativismo, mas um enredo mostrando a importância dele para a sobrevivência", explica o carnavalesco Fernando Alvarez. O Carro Abre-alas é chamado "Nas Terras de Santa Cruz"  e mostra a natureza ainda virgem dos primeiros anos do Descobrimento.

O segundo carro alegórico abordará o tema do extrativismo e traz, de acordo com o carnavalesco, "as mãos que catam", ou seja, as mãos dos homens que extraem as riquezas. Logo a seguir vem o carro da industrialização, que usa como exemplos latas de alumínio e laranjas, fazendo referências aos produtos que são extraídos e depois industrializados.

Arc`Alada é o quarto carro, uma espécie de Arca de Noé futurista, que será confeccionado em material reciclado. O último carro tem uma grande mão no centro, com uma bandeja oferecendo champanhe para a comemoração dos 500 anos de riquezas. "A mão que cata é a mão que oferece. O Homem que faz a extração no segundo carro oferecendo a champanhe", explica o carnavalesco.

Com todos os protótipos já prontos, o clima na escola, que esteve pela última vez no Grupo Especial em 1997(enrdo "Não se vive sem bandeira") é de animação. Ela vai sair com 23 alas e cerca de 3 mil componentes. "É claro que toda escola que está no Grupo 1/A quer ir para o Grupo Especial, mas o importante é fazer um bom carnaval", diz Moisés Antônio Coutinho Filho, o Zezo, presidente da Acadêmicos de Santa Cruz.

As fantasias apresentam épocas da cultura do café, os bandeirantes, os africanos, a Mãe-Natureza e as pedras preciosas. A ala mirim vai vestir fantasias representando o pau-brasil.

Um dos destaques do desfile promete ser o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Eduardo Bello, 32, e Gisele Gregório, 18(vide foto). Gisele é neta de Ana Alice Marçal, 56, que também foi porta-bandeira da Acadêmicos de Santa Cruz.

Os três sambas que concorrem são o de Chico e Eloy(pela primeira vez na disputa); Dito Foguete e Carlinhos Moleque; e o último é de Henri, da Roça, Macumbinha, Ditão e Luiz Carlos. A escolha será no Sábado, dia 23 de Outubro, as 22 horas na quadra da escola, que fica na Rua do Império, 573, Santa Cruz. A entrada custa R$ 5,00.

Mestre de Bateria: Filho exerce função ocupada 34 anos pelo pai

Duas gerações da mesma família fazem o passado e o presente da bateria da Santa Cruz: o atual diretor, Marquinhos(vide foto), é filho de Áureo Cordeiro Ramos, mestre de bateria durante 34 anos. Mestre Áureo é um dos 11 integrantes do grupo que fundou a Acadêmicos de Santa Cruz, em 18 de Fevereiro de 1959. Aos 63 anos, Mestre Áureo continua desfilando todos os carnavais junto com a família e faz parte da Velha Guarda da escola.

A escola do "arroz-com-couve", como era conhecida, por causa das cores verde e branco, teve origem no bloco carnavalesco Vai Quem Quer. Foi vice-campeã em 1960, no primeiro desfile no bairro. Em 1964, passou a desfilar na Avenida Rio Branco, no Centro do Rio, e desde então vem disputando o carnaval em diferentes grupos. "No primeiro desfile, a escola tinha apenas 12 ritmistas, mas no da Rio Branco o número aumentou para 35", conta Mestre Áureo.

Hoje, são mais de 200 integrantes comandados pelo diretor Marcos Rogério Cordeiro Ramos, o Marquinhos. Ele não gosta de ser chamado de mestre de bateria, porque, para ele, o único mestre é seu pai. Começou tocando na bateria mirim e passou a ser diretor de bateria em 1997.

Uma de suas conquistas, segundo ele, foi formar uma bateria com 90% dos participantes de Santa Cruz e adjacências.

Atualizado em ( 12-Mar-2010 )
 
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