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Por Luiz Fernando Reis
Publicado no SRZD Carnavalesco em 12/03/2009
A primeira vez que desfilei numa escola de samba foi no ano de 1980. O desfile foi na Avenida Rio Branco, onde na época desfilavam as escolas dos grupos 2A e 2B, que formavam o que hoje chamaríamos de 3º e 4º grupo. Em meu primeiro desfile numa escola de samba fui campeão ajudando a Santa Cruz a subir para o que conhecemos como Grupo de Acesso A e de onde ela nunca mais saiu a não ser para desfilar no Grupo Especial.
Me vesti com as cores da Acadêmicos de Santa Cruz, da qual era diretor cultural e dei meus primeiros passos numa avenida de desfile. Essa foi a minha primeira sinopse e foi feita para o enredo de autoria do então presidente, já falecido, José Lima Galvão - Um Domingo na Quinta da Boa Vista.
O barracão era lá em Santa Cruz, no antigo matadouro e algumas vezes, apesar da distância, estive por lá acompanhando os trabalhos de execução das alegorias.
Assim que cheguei na avenida percebi que o "Z" de Santa Cruz estava colocado no carro de maneira incorreta e o coloquei da maneira correta. Ele era de isopor cru sem pintura sob um fundo de tecido verde e o apoio eram pregos sem cabeça. Fui ver o restante da escola e quando retornei ao abre-alas lá estava o Z, novamente colocado de forma incorreta. Insisti em consertar o Z, quando fui impedido por um diretor que eu não conhecia, e era mesmo diretor, pois estava vestido com um terno branco e uma blusa verde como a minha. E acerta o Z não acerta o Z, eu e esse diretor quase saímos na "porrada", que só não se consolidou quando eu percebi que a maioria dos demais integrantes da escola conheciam o diretor e não a mim.
Coloquei o rabinho entre as pernas e deixei o Z como estava e fui para o final da escola. Quando a escola terminou o seu desfile percebi que o Z estava colocado corretamente, da forma que eu avisara na concentração. E na comemoração pelo belo desfile que fizemos aquele diretor teimoso me cumprimentou sorrindo e me disse:
- Você estava certo, o Z era mesmo ao contrário e num abraço nos desculpamos.
Esse diretor passou a ser meu grande amigo em terras de Santa Cruz. Fui por duas vezes carnavalesco de Santa Cruz e sempre pude contar com ele apoiando e ajudando meu trabalho. E sempre fiz questão de abraçá-lo e desejar-lhe boa sorte no pré-desfile de sua querida Acadêmicos de Santa Cruz, fosse qual fosse o ano.
O nome desse diretor era Mario José de Siqueira Campos, o Zeca, há muito anos diretor de carnaval da Santa Cruz e que nos deixou nessa quarta-feira.
Descanse em paz meu bom amigo e junte-se a nossa amiga Rosele, apaixonada como você pela Acadêmicos de Santa Cruz. Um dia, que espero demore um pouco ainda, nos reencontraremos e relembraremos, como tantas vezes fizemos, essa confusão do Z.
Um abraço e dessa vez muito triste pela perda de um grande amigo que o samba me presenteou.
Luiz Fernando Reis
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